O Terroir Brasileiro

O Terroir Brasileiro

Em um país de proporções continentais, a produção de vinho no Brasil vai descobrindo os melhores lugares e delimitando seus terroirs. 

Para conhecer os terroirs é preciso entender como acontecem as correntes de ar no território brasileiro, chamados de jatos de ar de baixo nível. A origem desses jatos está associada aos ventos alísios vindos do oceano Atlântico que invadem o território brasileiro pela ponta superior da Região Nordeste. Ali os ventos sopram sobre a área de vinicultura mais radical do Brasil, o semiárido do Nordeste, entre os estados de Pernambuco e Bahia. Quando chegam à Amazônia, absorvem muito vapor d’água, liberado pelas folhas da floresta por meio da transpiração. Já na fronteira do Estado do Acre com a Bolívia encontram a cordilheira dos Andes. As montanhas funcionam simultaneamente como um acelerador e uma barreira, já que aumentam a velocidade de circulação dos jatos e os desviam rumo ao sul. E então o ar muda de temperatura e aroma quando atinge os picos gelados de São Joaquim, em Santa Catarina, chegando frio ao pulmão, com o distante perfume de maçãs. Nessa longa viagem rumo ao sul, o ar se encontra com a umidade dos vales da Serra Gaúcha, perfumados pelas videiras antigas, e chega ao pouso final na Campanha, aberta, imensa, onde todos os aromas dessa longa jornada se dispersam num horizonte de plantações.

O conjunto desses aromas e contornos se misturam para formar o mapa da vitivinicultura brasileira, uma jovem e bela silhueta de uma indústria que finalmente atinge um nível de profissionalização que lhe permite reconhecer e estudar seus territórios e terroirs.

TIM TIM 

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